Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 09.
A cada governo que entra, o assunto educação deixa os holofotes provisórios da campanha eleitoral, onde
costuma desfilar na linha de frente das promessas dos
candidatos, e volta à triste prateleira dos problemas que
se arrastam sem solução. Desta vez foi diferente: encerrada a votação, a educação prosseguiu na pauta de discussões
acirradas. Infelizmente, o saldo da agitação não gira em torno
de nenhuma providência capaz de pôr o ensino do Brasil nos
trilhos da excelência – a real prioridade.
A questão da hora é o projeto que pretende legislar sobre
o que o professor pode ou, principalmente, não pode falar em
sala de aula. Com o propósito de impedir a doutrinação, por
professores, em classe, o projeto ameaça alimentar o oposto
do que propõe: censura, patrulhamento, atitudes retrógradas
e pensamento estreito. Segundo o especialista em educação
Claudio de Moura Castro, não há como definir o que é variedade de pensamento e o que é proselitismo.
Fruto do ambiente polarizado da sociedade brasileira, a
discussão entrou pela porta da frente das escolas. Nesse clima de paixões exaltadas, no entanto, é preciso um esforço
adicional para separar o joio do trigo. A doutrinação em sala
de aula é condenável sob todos os aspectos – seja de esquerda ou de direita, religiosa ou ateia, ou de qualquer outra
natureza. A escola é um lugar para o debate livre das ideias,
e não para o proselitismo.
Todo conhecimento é socialmente construído e, portanto,
a aventura humana, por definição, nunca é neutra ou isenta
de valores. A saída é discutir e chegar a um consenso sobre
o que precisa ser apresentado ao aluno, e não vigiar e punir.
Doutrinar é expor ideias e opiniões com o propósito de
convencer o outro. A todo bom professor cabe estimular o
confronto de ideias e o livre pensar, inclusive expressando
seu ponto de vista, mas não catequizar – uma linha fina que
exige discernimento constante.
O mundo é diverso em múltiplos aspectos, e a escola é
o lugar adequado para que essa diversidade seja discutida
livremente. A melhor escola ainda é a que faz pensar – sem
proselitismo.
(Fernando Molica, Luisa Bustamante e Maria Clara Vieira,
Meia-volta, volver. Veja, 14.11.2018. Adaptado)
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