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Leia o texto para responder às questões de números 01 a 07.

        Houve um tempo em que o jornalismo investigativo vivia de entrevistas confidenciais que pessoas bem informadas sobre algum assunto de interesse davam a repórteres em que confiavam, em troca de não terem sua identidade revelada.

        Eram tempos em que uma caneta, um bloquinho e uma agenda de telefones privilegiada constituíam todo o básico de investigação de qualquer jornalista. Um profissional sério desprezava até os gravadores de fita cassete, que, em geral, intimidavam os entrevistados. A palavra gravada precisava ser cuidadosamente medida e calculada. Em off, a conversa corria mais solta. Assim nasciam os grandes furos.

        Por óbvio, naquele tempo já havia pequenos aparelhos desenvolvidos pelas agências de espionagem internacionais que permitiam instalar dispositivos de gravação e filmagem disfarçados de abajures, canetas, óculos e até botões de roupa. Nada disso, porém, era de fácil acesso às pessoas comuns – o que só mudaria com o advento dos smartphones, a partir do final da década de 1990.

        A cumplicidade entre internet e dispositivos móveis de captação de som, imagem e informação, com a possibilidade de retransmissão instantânea do material captado, alterou de vez a relação entre o homem moderno e seu ambiente social. Começava, nesse momento, a grande derrocada da privacidade como a conhecemos um dia.

        A primeira rede social via internet nos moldes atuais, a Classmates, surgiu em 1995, nos Estados Unidos e Canadá. Era voltada para a troca de informações entre estudantes universitários. Desde então, as redes se multiplicaram e acabaram por se transformar nos principais polos de disseminação de informação do planeta. A maior rede disponível hoje, o Facebook, foi criada em 2004 por estudantes de Harvard e reúne mais de 2,2 bilhões de usuários, entre pessoas reais, perfis falsos e robôs.

        Por meio das redes, a indústria e o comércio sabem o que mais consumimos, presidentes são eleitos e derrubados, e os pecados que gostaríamos de ver escondidos são tornados públicos.

        O onipresente olho nos acompanha a cada passo que damos, reconhecendo-nos quando circulamos, pretensamente anônimos, em meio às multidões dos blocos carnavalescos.

(Luiza Pastor. Redes sociais destruíram ideia de privacidade, diz pesquisadora. www1.folha.uol.com.br, 28.06.2019. Adaptado)

Segundo o texto, é correto afirmar que

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Assinale a alternativa que substitui o trecho destacado na passagem – Mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à Educação do Olhar. – expressando seu sentido.

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Leia o texto de Rubem Alves, para responder às questões de números 13 e 14.

A arte de educar

        Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!” e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente… E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.

        Já li muitos livros sobre Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, Filosofia da Educação… Mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à Educação do Olhar. Ou à importância do olhar na educação, em qualquer um deles.

        Quero ensinar às crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.

        As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem… O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo e o mundo aparece refletido dentro da gente. São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida. Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança, jamais será sábio.

(Disponível em:< https://psicologiaacessivel.net>. Acesso em: 18.11.2018)

A afirmação – Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem… – é marcada por uma incoerência, com a qual o autor

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Leia a tira, para responder às questões de números 11 e 12.

image

(André Dahmer, Malvados. Disponível em: www.google.com.br. Acesso em 17.11.2018) 

O principal responsável pelo efeito de sentido na tira é

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Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 09.

A cada governo que entra, o assunto educação deixa os holofotes provisórios da campanha eleitoral, onde costuma desfilar na linha de frente das promessas dos candidatos, e volta à triste prateleira dos problemas que se arrastam sem solução. Desta vez foi diferente: encerrada a votação, a educação prosseguiu na pauta de discussões acirradas. Infelizmente, o saldo da agitação não gira em torno de nenhuma providência capaz de pôr o ensino do Brasil nos trilhos da excelência – a real prioridade.

A questão da hora é o projeto que pretende legislar sobre o que o professor pode ou, principalmente, não pode falar em sala de aula. Com o propósito de impedir a doutrinação, por professores, em classe, o projeto ameaça alimentar o oposto do que propõe: censura, patrulhamento, atitudes retrógradas e pensamento estreito. Segundo o especialista em educação Claudio de Moura Castro, não há como definir o que é variedade de pensamento e o que é proselitismo.

Fruto do ambiente polarizado da sociedade brasileira, a discussão entrou pela porta da frente das escolas. Nesse clima de paixões exaltadas, no entanto, é preciso um esforço adicional para separar o joio do trigo. A doutrinação em sala de aula é condenável sob todos os aspectos – seja de esquerda ou de direita, religiosa ou ateia, ou de qualquer outra natureza. A escola é um lugar para o debate livre das ideias, e não para o proselitismo.

Todo conhecimento é socialmente construído e, portanto, a aventura humana, por definição, nunca é neutra ou isenta de valores. A saída é discutir e chegar a um consenso sobre o que precisa ser apresentado ao aluno, e não vigiar e punir.

Doutrinar é expor ideias e opiniões com o propósito de convencer o outro. A todo bom professor cabe estimular o confronto de ideias e o livre pensar, inclusive expressando seu ponto de vista, mas não catequizar – uma linha fina que exige discernimento constante.

O mundo é diverso em múltiplos aspectos, e a escola é o lugar adequado para que essa diversidade seja discutida livremente. A melhor escola ainda é a que faz pensar – sem proselitismo.

(Fernando Molica, Luisa Bustamante e Maria Clara Vieira, Meia-volta, volver. Veja, 14.11.2018. Adaptado)

Entre os pontos negativos do projeto mencionado no segundo parágrafo, o texto aponta

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Leia o texto, para responder às questões de números 01 a 09.

A cada governo que entra, o assunto educação deixa os holofotes provisórios da campanha eleitoral, onde costuma desfilar na linha de frente das promessas dos candidatos, e volta à triste prateleira dos problemas que se arrastam sem solução. Desta vez foi diferente: encerrada a votação, a educação prosseguiu na pauta de discussões acirradas. Infelizmente, o saldo da agitação não gira em torno de nenhuma providência capaz de pôr o ensino do Brasil nos trilhos da excelência – a real prioridade.

A questão da hora é o projeto que pretende legislar sobre o que o professor pode ou, principalmente, não pode falar em sala de aula. Com o propósito de impedir a doutrinação, por professores, em classe, o projeto ameaça alimentar o oposto do que propõe: censura, patrulhamento, atitudes retrógradas e pensamento estreito. Segundo o especialista em educação Claudio de Moura Castro, não há como definir o que é variedade de pensamento e o que é proselitismo.

Fruto do ambiente polarizado da sociedade brasileira, a discussão entrou pela porta da frente das escolas. Nesse clima de paixões exaltadas, no entanto, é preciso um esforço adicional para separar o joio do trigo. A doutrinação em sala de aula é condenável sob todos os aspectos – seja de esquerda ou de direita, religiosa ou ateia, ou de qualquer outra natureza. A escola é um lugar para o debate livre das ideias, e não para o proselitismo.

Todo conhecimento é socialmente construído e, portanto, a aventura humana, por definição, nunca é neutra ou isenta de valores. A saída é discutir e chegar a um consenso sobre o que precisa ser apresentado ao aluno, e não vigiar e punir.

Doutrinar é expor ideias e opiniões com o propósito de convencer o outro. A todo bom professor cabe estimular o confronto de ideias e o livre pensar, inclusive expressando seu ponto de vista, mas não catequizar – uma linha fina que exige discernimento constante.

O mundo é diverso em múltiplos aspectos, e a escola é o lugar adequado para que essa diversidade seja discutida livremente. A melhor escola ainda é a que faz pensar – sem proselitismo.

(Fernando Molica, Luisa Bustamante e Maria Clara Vieira, Meia-volta, volver. Veja, 14.11.2018. Adaptado)

É correto afirmar que, no tratamento do tema do texto, os autores 

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NELSON RODRIGUES: O GRANDE ACONTECIMENTO DO SÉCULO FOI A ASCENSÃO ESPANTOSA E FULMINANTE DO IDIOTA


O teatro e a crônica de Nelson Rodrigues são uma ressonância magnética da alma humana. Sua arte desnuda o homem — não só o rico (visto por parte da literatura patropi com cruel e pançudo), não só o de classe de média e não só o pobre. Daí certo desagrado de alguns com os "excessos" de sua arte. Apreciamos a arte degradar aquilo que não somos. ou ao menos achamos que não somos. Nelson Rodrigues pegava todo mundo, ninguém lhe escapava. A classe média é uma de suas, digamos, "vítimas" preferenciais. Porque, embora moralista ao extremo, não é tão diferente dos pobres e dos ricos (aliás, pobres e ricos têm uma moralidade similar, mais flexível do que a da classe média).

A classe média é assim: ama as aparências e, portanto, esconde o que se passa entre quatro paredes — daí lota os consultórios de psiquiatras e psicanalistas (outras quatro parede). Sua ansiedade é que quer ser o que não é, ou, na prática, o que não existe — o ser humano maravilhoso que não existe nem nos contos de fada. A média é a classe que tem vergonha de tudo — embora seja tão desavergonhada quanto as demais (por isso faz quase tudo escondido) — e condena, com extremo rigor, a "imoralidade" alheia.

https://www.revistabula.com/17809-o-grande-acontecimento-do-século-foi-a-ascensao-espantosa-e-fulminante-do-idiota/ - adaptado.

Na frase "William levou uma surra", o sujeito é classificado como:
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NELSON RODRIGUES: O GRANDE ACONTECIMENTO DO SÉCULO FOI A ASCENSÃO ESPANTOSA E FULMINANTE DO IDIOTA


O teatro e a crônica de Nelson Rodrigues são uma ressonância magnética da alma humana. Sua arte desnuda o homem — não só o rico (visto por parte da literatura patropi com cruel e pançudo), não só o de classe de média e não só o pobre. Daí certo desagrado de alguns com os "excessos" de sua arte. Apreciamos a arte degradar aquilo que não somos. ou ao menos achamos que não somos. Nelson Rodrigues pegava todo mundo, ninguém lhe escapava. A classe média é uma de suas, digamos, "vítimas" preferenciais. Porque, embora moralista ao extremo, não é tão diferente dos pobres e dos ricos (aliás, pobres e ricos têm uma moralidade similar, mais flexível do que a da classe média).

A classe média é assim: ama as aparências e, portanto, esconde o que se passa entre quatro paredes — daí lota os consultórios de psiquiatras e psicanalistas (outras quatro parede). Sua ansiedade é que quer ser o que não é, ou, na prática, o que não existe — o ser humano maravilhoso que não existe nem nos contos de fada. A média é a classe que tem vergonha de tudo — embora seja tão desavergonhada quanto as demais (por isso faz quase tudo escondido) — e condena, com extremo rigor, a "imoralidade" alheia.

https://www.revistabula.com/17809-o-grande-acontecimento-do-século-foi-a-ascensao-espantosa-e-fulminante-do-idiota/ - adaptado.

Segundo o texto, é correto afirmar que:

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O substituto da vida

        Quando meu instrumento de trabalho era a máquina de escrever, eu me sentava a ela, punha uma folha de papel no rolo, escrevia o que tinha de escrever, lia o que escrevera e fazia eventuais emendas. Relia-o para ver se era aquilo mesmo, fechava a máquina, entregava a matéria e ia à vida.

        Se já trabalhasse em casa, ao terminar de escrever, eu fechava a máquina e abria um livro, escutava um disco, dava um pulo rapidinho à praia, ia ao Centro da cidade varejar sebos. Só reabria a máquina no dia seguinte.

        Hoje, diante do computador, termino de produzir um texto, vou à lista de mensagens para saber quem me escreveu, deleto mensagens inúteis, respondo às que precisam de resposta, entro em jornais e revistas on-line, interesso-me por várias matérias e vou abrindo-as uma a uma. Quando me dou conta, já é noite lá fora e não saí da frente da tela.

        Com o smartphone seria pior ainda. Ele substituiu a caneta, o bloco, a agenda, o telefone, o rádio, a TV – a vida. É por isso que nem lhe chego perto: temo que ele me substitua também.

(Ruy Castro. A arte de querer bem. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018) 

De acordo com o autor, a substituição da máquina de escrever pelo computador 

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Quando o efêmero dura

      Uma das mais fabulosas tecnologias humanas é a escrita. Ela nos permitiu ampliar a memória para horizontes antes inimagináveis. Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento que logramos obter. Nosso modo de vida provavelmente não diferiria muito do de nossos ancestrais de épocas remotas.

      Uma tecnologia assim poderosa não poderia ter passado sem deixar marcas. De início, poucos dominavam as letras, de modo que saber ler e escrever se tornou uma distinção de classe social. À medida que surgiram tecnologias mais eficientes de reprodução e o ensino público se popularizou, o alfabetismo se tornou quase universal.

      No nível comportamental, havia uma divisão muito clara entre a comunicação formal, calculada, destinada a durar (escrita), e aquela mais íntima, vaga (oral), que, justamente por não deixar traços, podia operar como uma sonda da sociabilidade, testando relacionamentos, fofocando, às vezes até zombando e insultando. O ex-presidente Michel Temer matou a charada ao proclamar: verba volant, scripta manent* .

      O problema é que as tecnologias não pararam de evoluir, dando lugar a computadores, celulares, aplicativos de mensagens, redes sociais etc. As pessoas vêm cada vez mais usando a escrita para comunicar-se no registro informal, que conta com o caráter efêmero da fala. Pior, a reprodutibilidade e transmissão de diálogos privados se tornaram potencialmente infinitos.

      O resultado é uma explosão de curtos-circuitos sociais, nos quais mensagens concebidas para circular entre poucos ganham ampla difusão. Às vezes a divulgação é de interesse público, mas, com maior frequência, ela só azeda amizades ou intoxica o ambiente de trabalho.

       Isso demonstra que é preciso ver com certa preocupação a redução dos espaços de experimentação social, onde é lícito falar bobagem.

(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 02.11.2019. Adaptado)
* provérbio latino que pode ser livremente traduzido por “as palavras voam, a escrita permanece”

No período do primeiro parágrafo – Não fosse por ela, jamais teríamos atingido os níveis de acúmulo, transmissão e integração de conhecimento… –, a frase destacada expressa, em relação ao restante do enunciado, uma 

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